CIFA

Espiritualidade Franciscana Aparecida

 

ESPIRITUALIDADE DAS IRMÃS FRANCISCANAS

DE NOSSA SENHORA APARECIDA

Somos uma Congregação Franciscana e, como disse Frei Pacífico de Bellevaux:

Uma Congregação bem Franciscana e bem brasileira

A  junção destes dois elementos,

deu à luz nova flor no jardim das Famílias Religiosas.

A união do bem franciscana” e do bem brasileira” inicia no espírito dos fundadores,

perpassa a evolução histórica dos Documentos e da prática do ser e do agir congregacional,

alcançando o raiar do Novo Milênio, quando a congregação busca, em suas raízes e na sua história,

as características próprias da sua espiritualidade franciscana.

 

Vida em Betânia: Centro Inspirador

O novo modelo de Vida Religiosa, caracterizado pela nova Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, configura-se no mundo como sendo uma Vida em Betânia. Segundo o Evangelho, nesse espaço convivem as irmãs Marta e Maria e seu irmão Lázaro, sob a orientação e na companhia do Mestre, o Divino Hóspede.

A Congregação busca, em Lucas 10, 38-42, o centro inspirador de sua Espiritualidade Franciscana, na qual Jesus ensina um modo de ser e de agir, buscando o ‘único necessário’. “Outrora Jesus descansava em Betânia, na casa de Marta e Maria. Nossos Fundadores batizaram nossas casas com o nome de Betânias, querendo significar que aí Nosso Senhor deve descansar entre as Martas-Marias. Inspiradas nesta lição evangélica, busquemos crescente harmonia em nossa vida de ação e contemplação, conforme desejo de nossos Fundadores, sendo Martas  pela atividade, sem deixar de ser Marias pelo recolhimento e união com Deus”(CC 5).


Sentido de Betânia


   A família de Betânia era, verdadeiramente, amiga de Jesus, pois quando se dirigia para Jerusalém, Jesus costumava hospedar-se nessa casa. Ali tomava refeições, passava a noite, convivia na casa da família, como lugar de retiro. “Entrou no Templo, em Jerusalém e, tendo observado tudo, como fosse já tarde, saiu para a Betânia com os Doze... No dia seguinte, quando saíam de Betânia, teve fome” (Mc 11,11-12). Aí sentia-se em casa, em família, na ‘nova Família’ daqueles que fazem a vontade do Pai (cf. Mc 10,28-30). Eles eram seus discípulos e Jesus era seu Mestre. Lázaro, Marta e Maria representavam a comunidade de Jesus: eles eram irmãos, ou seja, viviam o valor que a comunidade de discípulos considerava absoluto: o amor.

Os Fundadores criaram uma terminologia própria. Chamaram de Betânias as casas da Congregação. Nelas, as Irmãs “serão Martas-Marias: Martas pela atividade, sem deixarem de ser Marias pelo recolhimento e pela união com Deus” (CC-5).

Nossas Betânias, quais espaços teologais, são lugares privilegiados para acontecer experiências de Deus. Sendo centros de espiritualidade e missão, caracterizam-se como lugares de: acolhida, simplicidade, sensibilidade, caridade, oração, silêncio interior e exterior, cuidado do ambiente. Tudo há de lembrar que o Senhor está presente, que a Betânia é a sua casa, “em tudo deve resplandecer o amor”. O Divino Hóspede vem descansar em nosso meio, para nos ouvir, nos falar e nos enviar. É uma questão de acolhimento, de criar espaço favorável em nós e ao redor de nós. É nosso espaço da missão.


Ser Marta-Maria

Como Maria em Betânia, nossa Fundadora buscou, aos pés doDivino Hóspede”, numa atitude atenta e humilde, o alimento essencial para à sua vida. Na escuta de sua Palavra, de seus ensinamentos, contidos no Evangelho, orientou seu ideal de vida. Como Marta, Madre Clara recebe o Mestre e quer oferecer-lhe hospitalidade digna, fazer o possível para que nada lhe falte e, retoma freqüentemente: “Serão Martas-Marias: Martas pela atividade, sem deixarem de ser Marias pelo recolhimento, pela união com Deus” (CC 5). Assim assumimos este modo de ser como fonte inspiradora de nosso Carisma e de nossa Espiritualidade. O único necessário, quer seja na ação ou na contemplação, é amar profundamente o Divino Hóspede, reconhecendo-o como Mestre.

Trata-se de reencontrar Marta em união com Maria, ou seja: “...ser Marta sem deixar de ser Maria...”como nos recomenda Madre Clara. Marta e Maria são como dois olhos de um mesmo olhar os dois olhando na mesma direção ao único Senhor. Pela inspiração de nosso Carisma, somos

diariamente convidadas a criar uma cultura de interioridade, de escuta, de acolhida e de serviço apostólico generoso, a cultura de “nosso modo próprio de estar no mundo”, nutrida aos pésdo “Hóspede Divino”, reconhecendo-O na pessoa de cada irmão, de cada irmã.

 “A Congregação será de vida mista, disse nosso Pai, no entanto, darei muita importância à contemplação... 
As Irmãs serão Martas-Marias: Martas pela atividade, sem deixar de serem Marias pelo recolhimento, pela união com Deus.

O “Divino  Hóspede”

Madre Clara convida as Irmãs a fazerem da Eucaristia o centro de suas vidas: “Façamos do sacrário, com nosso fervor, o centro de nossa vida”. Jesus eucarístico tornara-se o “Divino Hóspede”, a partir da frase de D. João Becker: “Deixo Nosso Senhor aos cuidados das Senhoras”, fato que marca o início  da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida! As Irmãs tornaram-se “Guardas de Honra do Divino Hóspede” (CF, S IV, D 31, 6: 1949). Nasce uma forma própria de cultivar a espiritualidade eucarística nas Betânias das Irmãs, onde Jesus é o “Divino Hóspede”. Dessa presença surge um modo próprio de ser, conviver com Ele, relacionar-se com as coirmãs e com os demais, de ir em missão.

Madre Clara assim se expressa:Morar com Jesus realmente presente no Santíssimo Sacramento é uma graça tão grande que não sabemos apreciar como o deveríamos. É preciso que nos ativemos a nos entregar de todo o coração à correspondência de tamanha graça. Diz o ditado que  o amor só se paga com amor, meditemos sobre estas palavras memoráveis do Senhor  Arcebispo: ‘Deixo Nosso Senhor, entregue aos cuidados das Senhoras’. Examinemo-nos como temos cuidado. Meu Deus! Que programa de vida para vivermos” (Madre Clara – Vida e Obra. P. 44). (CF, S IV, D 31, 6:1949). É o coração que permanece palpitante de amor em nossos sacrários, esperando que lhes sejamos as consoladoras, como lhe foram as habitantes da primeira Betânia onde ele ia descansar. Dia 24  é e sempre será a grande festa da Congregação querida, quando devemos meditar, examinando a consciência, sobre a maneira como temos cuidado de Jesus deixado aos nossos cuidados. (CF. SIV. D 53, 6: 1950).   No recolhimento destes dias eucarísticos, ouçamos a voz do Divino prisioneiro: “Permanecei no meu amor”. Para  começarmos nova etapa de vida em companhia de Jesus hóstia, façamos do sacrário, com novo fervor, o centro de nossa vida.


A Caridade – “Virtude Rainha”

Nossos Fundadores deixaram claro a Espiritualidade desejada e por eles vivida, a qual assim a expressam: “Lembremo-nos que Espiritualidade Franciscana se concentra na CARIDADE”

Madre Clara insiste no amor fraterno demonstrado em atitudes concretas. “A nossa penitência seja esforço contínuo de nossa reforma individual, pela prática da santa caridade fraterna. Nada porém podemos fazer sem que arda o fogo do amor em nossos corações”. A renúncia de nós mesmas tão recomendada por Madre Clara, é inerente à prática da caridade e nos torna felizes.

“Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24). Dela.  a "Virtude Rainha" nos vem a fortaleza, a paz e a liberdade de espírito (cf. MC pg.124).

O cultivo da caridade é o grande desafio que nos é colocado, sobretudo, na convivência fraterna. A vivência da caridade constitui-se no principal cuidado e insistência de nossos Fundadores. Frei Pacífico recomendava à Madre Clara: "Madre, faça como São João, não se canse de falar sobre a caridade...” Caríssimos, amemo-nos uns aos ouros, pois o amor é de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus.

 A caridade é a condição vital de todas as obras religiosas. Não é preciso ser profeta para afirmar, sem receio de errar, que sem esta rainha das virtudes, as ‘Cruzeiras’ não terão futuro nenhum. É questão de vida ou de morte...”. O amor nos dá o necessário para viver e fazer viver com alegria. “A caridade ressuscita mortos e a falta de caridade mata vivos” (Madre Clara)

 “As Irmãs devem ter uma para com as outras, os sentimentos da mais cordial caridade”. É programa de vida recomeçar todos os dias vida nova, no amor. “Comecemos com a ressurreição de Nosso Senhor uma verdadeira ressurreição espiritual, com a caridade” (Madre Clara)


Betânia, Vida em Missão

O sentido e o dinamismo da missão para a Vida Consagrada está na raiz da própria consagração.

A pessoa consagrada está em missão por força de sua própria consagração, testemunhada segundo o projeto do respectivo Instituto” (VC 72). Portanto,  a Vida Consagrada em si torna-se missão, como foi a vida de Jesus, porque toda a consagração tem sua razão de ser em vista da   missão.A missionaridade está inserida no coração mesmo de toda e qualquer forma de Vida Consagrada”.

 

 

A vida fraterna em comunidade  é elemento fundamental da missão evangelizadora, pois “toda a fecundidade da Vida Religiosa depende da qualidade da vida fraterna em comum... quanto mais intenso é o amor fraterno, maior é a credibilidade da mensagem anunciada... A vida fraterna é tão importante quanto a ação apostólica” (VFC 54-55). Santa Clara, mesmo na vida contemplativa, não perde a consciência missionária evangelizadora. “Pois o próprio Senhor nos colocou não só como modelo, exemplo e espelho para os outros, mas também para nossas irmãs, que Ele vai chamar para a nossa vocação, para que também elas sejam espelho e exemplo para os que vivem no mundo. A espiritualidade da missão encontra sua fonte na minoridade evangélica, que nos torna solidárias onde estamos e atuamos, assim como no modo de ser e servir: simples, acessível,  alegre e disponível.