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  Projeto Político Pedagógico
 

 

INTRODUÇÃO



O projeto político-pedagógico é um instrumento teórico-prático, fundamentado nos documentos da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida e teóricos que embasam a nossa proposta educativa, possibilitando assim,  o encaminhamento cotidiano do fazer pedagógico. O projeto é político porque revela  intencionalidade das opções e escolhas de caminhos na formação do cidadão, como sujeito ativo e transformador da sociedade em que vive. O projeto é pedagógico porque orienta o como fazer, definindo a forma de planejamento de currículo e atividades para a concretização dos objetivos educacionais, considerando a leitura da realidade e particularidades de cada comunidade escolar.

Este documento foi elaborado com a participação dos diferentes segmentos das comunidades educativas, sendo o texto final redigido por um grupo indicado pela Equipe de Educação da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, civilmente reconhecida como Associação Cruzeiras de São Francisco -ACSF, Mantenedora das Escolas.
A Proposta Pedagógica das Escolas Franciscanas-Aparecida é baseada nos fundamentos do Carisma Congregacional, na legislação em vigor e nas especificidades que caracterizam cada uma de nossas Escolas.
O projeto tem por objetivos:

• Motivar e possibilitar a vivência de valores cristãos nos diferentes espaços sociais;

• Garantir um currículo que possibilite a formação de cidadãos comprometidos com a defesa da vida, tornando os conteúdos significativos na existência dos educandos;

• Proporcionar um processo de aprendizagem permanente que possibilite a construção de novos conhecimentos;

• Incentivar os educadores a manter uma formação continuada;

• Propor trabalhos interdisciplinares, coletivos e de caráter humanista, que unam a ação pedagógica à compreensão do sistema produtivo e da tecnologia;

• Criar condições para que os educadores e educandos reflitam sobre suas práticas cotidianas, resgatando a intencionalidade das suas ações, ressignificando o trabalho desenvolvido e apontando caminhos para a prática pedagógica;

• Formar educando pesquisadores que busquem fatos relativos a investigação minuciosa e sistemática de um ou vários campos do conhecimento;

• Manter as comunidades educativas atentas às questões sociais, intervindo na realidade presente através de ações concretas.

MISSÃO

Promover a formação integral da pessoa, através da ação educativa fundamentada nos valores franciscanos Aparecida.


1 - MARCO REFERENCIAL

O Marco Referencial expressa a identidade da Instituição, sua visão de mundo, valores, objetivos e utopia. Expressa também o sentido do trabalho pedagógico e as perspectivas para concretizá-lo.

O Marco Referencial está assim organizado:

• Marco Situacional (onde estamos e como vemos a realidade);

• Marco Doutrinal (para onde a Instiuição quer ir);

• Marco Operativo (que horizontes queremos para a nossa ação).
 
1.1 - MARCO SITUACIONAL

Nas últimas décadas temos acompanhado um crescente desenvolvimento técnico-científico, caracterizado pela integração efetiva entre a ciência, tecnologia e  produção. As palavras de ordem, que caracterizam a época em que vivemos e que aparecem como grandes objetivos deste momento histórico são: pluriculturalismo, globalização, consumismo, competição permanente e enriquecimento rápido.

Embora, a maior parte da humanidade busque dominar o processo econômico, infelizmente a maioria vivencia o seu lado obscuro submetida ao desemprego, à violência, à doença, à fome, à miséria, enfim, à injustiça.

O Brasil participa diretamente do contexto histórico mundial, desempenhando papel relevante na economia mundial, passando de país coadjuvante à protagonista da construção do capitalismo global. É nesse contexto, que muitos de seus cidadãos recebem a marca da exclusão, esmagados, sobretudo, pela concentração de renda que ferozmente cresce a cada dia. 

A Educação, instrumento reconhecidamente apropriado para promover mudanças radicais nas condições de vida de um povo, ainda nos dias atuais, tem figurado como peça emblemática do discurso daqueles que chegam ao governo. No entanto, a educação continua sendo elitista e, por consequência, excludente.

Nos movimentos sociais, algumas poucas vozes lutam por construir uma Escola mais eficiente, menos excludente e por acesso mais democrático à Universidade. A educação de um modo geral, no século XX, construiu parâmetros centrados no individualismo que conduz a uma sociedade hedonista ignorando os limites éticos da competição.  

Nesse contexto, o ser humano fica, assim, reduzido a mero instrumento da produção e objeto do consumo capitalista. As mercadorias, o dinheiro e a exploração das emoções passaram a nortear as relações em detrimento dos valores éticos e cristãos.

São louváveis e reconhecidos os avanços da Ciência e da Tecnologia que revolucionaram a produção e o próprio ambiente escolar, bem como o comportamento das pessoas. Internet, telefonia celular e outros meios de comunicação, em certa medida, oferecem comodidade, segurança e precisão, porém sabemos que essas melhorias atingiram apenas uma pequena parcela da humanidade.

Nessa conjuntura pouco humanizante há, um aspecto bastante animador. Cresce a atuação social em ações e campanhas em prol da garantia dos direitos fundamentais da pessoa, clamando por outra globalização, que passe pela solidariedade, respeito aos direitos humanos, inclusão social, real democracia e fortalecimento de uma cultura de Paz.  

Um dos temas que mais desperta atenção na atualidade é o do meio-ambiente. Não se trata simplesmente de preservar o equilíbrio dinâmico dos ambientes vitais, com a regeneração de ecossistemas degradados pela ambição humana e pelo processo de industrialização. O Planeta Terra precisa de uma ética ecológica, que reeduque as pessoas a conviver e a relacionar-se fraternalmente com a natureza. O efeito final da devastação e do uso avassalador dos recursos naturais resulta na baixa qualidade de vida. Nesse sentido, a ética planetária representa um apelo e uma alternativa mais do que global para o problema, buscando estratégias para sustentar os ecossistemas sem prejudicar a qualidade de vida no Planeta.

A Escola é um espaço propício a um mundo de possibilidades que se alargam, potencializando conhecimento e sistematizando descobertas em formulações teóricas novas. Dessa forma, temos como desafio uma Educação de qualidade, que busque contribuir na transformação da realidade do país, promovendo o bem comum, o desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a justiça, a inclusão social, o respeito à vida, a Paz e o Bem.

1.2 - MARCO DOUTRINAL

“O estilo franciscano de educar ganha sentido, espaço e credibilidade na prática pedagógica do dia-a-dia quando o colégio, a família e o educando se tornam parceiros/irmãos a partir das crenças e dos valores vivenciados comunitariamente.

Educar, no estilo franciscano, é educar a condição humana à sua maturidade (...) na fraternidade, na solidariedade humana e na tolerância recíproca- é formar o homem de caráter - é buscar a verdade (é experimentar a transcendência) é experimentar o Transcendente”.

1.2.1 - A Congregação: fundação, identidade e presença na Educação

A Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida foi fundada em 1928, pela professora Morena de Azevedo e Souza (Madre Clara Maria), educadora atuante em seu tempo, no magistério público de Porto Alegre. Com suas companheiras e, apoiada por Frei Pacífico de Bellevaux, Capuchinho, sonhou fundar uma Congregação Religiosa com Carisma Franciscano, destinada a atender necessidades manifestas e ainda não socorridas, da juventude feminina de sua época. Pode-se afirmar que sua inspiração foi:

- Dar condições de Vida Religiosa às “moças brasileiras”, isto é, oportunizar que elas pudessem se tornar Religiosas, com a saúde, o gênio e o temperamento... próprios, adaptando assim a Vida Religiosa à índole e costumes das mulheres do seu País e de sua região, nos diferentes tempos e circunstâncias. 

- “Atender aos mais abandonados; aqueles que não são recebidos nem nos colégios, nem nos orfanatos: os surdos, mudos, cegos, doentes, rejeitados em toda a parte...”   - o que dá ao Carisma o rosto franciscano de viver e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.
 
O nome da Congregação revela sua identidade

Assim sendo, a Congregação conceitua-se desta forma:
Irmãs Franciscanas – porque buscam seguir Jesus Cristo a partir da espiritualidade de São Francisco de Assis. Francisco assumiu seguir Jesus Cristo numa vida de pobreza e simplicidade, na qual todas as criaturas, plantas, animais e seres humanos (independente de poder aquisitivo, raça ou cultura), se tornem verdadeiramente irmãs, irmãos.

A Espiritualidade Franciscana ilumina, orienta, conduz a vida e a missão da Congregação , tendo como norma de vida o Evangelho. As características com as quais a Congregação mais se identifica são: o Evangelho como regra de vida, a contemplação e a vida apostólica, como modo próprio de viver, a fraternidade nas relações interpessoais e a minoridade como liberdade para viver o essencial.

De Nossa Senhora Aparecida – porque tem Maria como padroeira. Os Fundadores dedicavam sincera devoção à Maria, Mãe do Senhor, que se inculturou, deixando-se encontrar, no Brasil, por isso, é nomeada Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Contemplando o exemplo de Maria, Madre Clara diz que as Irmãs devem honrar o nome ‘Aparecida’ procurando ser: “Aparecidas na humildade, na caridade, na pobreza e na obediência. Apareçamos onde não transita muita gente, lá no porão, onde ninguém se acotovela. Desapareçamos das fachadas, onde já há bastante gente”  . 

Como características próprias da Congregação destacam-se: viver em Betânia – modelo de residência acolhedora; ser Marta-Maria – integrando ação e oração, no convívio das Betânias e na missão entre os irmãos; cuidar do Divino Hóspede – tendo Jesus Cristo como centro de seu viver, as Irmãs se empenham para ver o rosto de Cristo nas pessoas com as quais tiverem a oportunidade de estar e servir, acima de tudo naquelas mais sofridas ou rejeitadas na sociedade ; praticar a Caridade – como convite à vivência constante do amor concretizado no serviço aos irmãos, sem distinções.

A Congregação atua na área da educação desde a década de 1930. 

Inicialmente em 1935 assumiu a “Escola da Pia Fundação Nossa Senhora Aparecida” com o objetivo de proporcionar escolaridade da 1ª à 5ª série às meninas e jovens órfãs e/ou abandonadas. O currículo era bem diferenciado, isto é, além do que o curso regular previa, eram dadas aulas de culinária, de bordado, de pintura, de música – incluindo aprendizado de piano, violino, cítara.

No final da década de 1940, emergiu a possibilidade de auxiliar na Escola Paroquial São Judas Tadeu, na Vila João Pessoa, Partenon. As Irmãs assumiram a obra renomeando-a de Escola Paroquial São Judas para Escola de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Brasil.

A partir da década de 1950, diversas Irmãs atuaram em escolas no interior do Estado: em Cotiporã, Daltro Filho, Putinga, Soledade, no RS e em Praia Grande/SC. Dessas destacamos o Instituto Nossa Senhora Medianeira, em Soledade/RS, que permaneceu em funcionamento até meados da década de 1990.

O ano de 1956 foi marcante para a mediação da educação. A Escola Particular da Pia Fundação Nossa Senhora Aparecida continuava sua caminhada. Seus objetivos, porém, exigiram novo passo: oferecer às meninas internas melhores condições de conquistar a necessária autonomia de vida. Nascia, então, o Ginásio Rainha do Brasil.

No mesmo ano de 1956, a Congregação iniciou as atividades do EPHPHETA – Instituto Frei Pacífico, hoje Escola Especial para Surdos Frei Pacífico. Uma obra para responder à intuição de Madre Clara e Frei Pacífico. O objetivo adequou-se a novas exigências não só legais-educacionais como as das/dos portadoras/es de deficiência auditiva que acarretam outras necessidades especiais.

1.2.2 - Fundamentação Cristã e Franciscana

A pedagogia franciscana tem seu fundamento no modo como compreende a ação de Deus. Deus tanto nos amou que partilhou o universo conosco e não parou por aí.  Fez muito mais “partilhou-se” através da criação da mulher e do homem à sua imagem e semelhança  e doou-se completamente pela encarnação e morte de Jesus . Ele, o Criador, quis ser criatura e o fez nascendo numa família pobre e humilde . “Para Francisco de Assis, a vida da pessoa está em íntima dependência do Autor da Vida e estreita relação com Ele.
 
Jesus foi educador por excelência. Como ser humano, promoveu a humanidade. “Antes de ensinar, escolheu a condição de operário”  , colocou-se como menor, para, com sabedoria, viver e anunciar a justiça. 

Sua pedagogia está intimamente ligada ao seu modo de viver. Depois de lavar os pés de seus discípulos disse: “Eu lhes dei o exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz”   e ainda: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu vos amei” .

Jesus se encarnou em nossa história para nos dar a conhecer o rosto humano de Deus, para experimentarmos profundamente a vida divina e nos darmos conta de que, em Deus nós também podemos desenvolver nossa humanidade . Francisco e Clara de Assis são testemunhas dessa verdade.

Francisco, filho do seu tempo, foi fortemente marcado pela luta das cruzadas, o ideal cavalheiresco, as disputas entre o feudalismo e a burguesia, as opções da Igreja, tentativas e contradições . Estas, por sinal, eram muitas e evidentes na relação da Igreja com o Estado e no abandono dos leprosos e pobres.

Francisco é considerado o “Mestre de vida integral”  . Este reconhecimento se deve aos gestos de amor, cortesia, ternura, respeito, gratidão e bondade que atestam a sensibilidade de Francisco como formador e educador . Francisco fez opção pela pessoa, reencontrou o mundo criado, a todos chamou de irmão e irmã .

Criou sua pedagogia, apesar de não ter sido teórico. Aquilo que viveu pessoalmente propôs aos seus companheiros, às pessoas de seu tempo , o que vale ainda para nós, homens e mulheres de nosso tempo: a busca de valores mais nobres. Ele não apenas sugeriu, “praticou, ensinou, escreveu.”   Ele nos deixou uma herança na maneira de ver, de tratar e de conduzir o ser humano. “A Pedagogia Franciscana tem um modo próprio de formar, educar, de relacionar-se com as pessoas, de transmitir-lhes valores, de reconhecer nelas dignidade, bondade e beleza” .

“Ser um educador franciscano não é apenas questão de conteúdo. É espírito, maneira de ver as coisas, de vivê-las, de assumi-las e de equacionar os grandes conflitos de vida e de morte”. 

Foi pelo exemplo que a proposta de Francisco chegou até nós e é pelo exemplo, que queremos marcar a vida dos nossos educandos.

1.2.3 - Clara de Assis e a Educação

Clara de Assis não era educadora no sentido formal deste termo. Consta que, como todas as jovens e mulheres da nobreza medieval, recebeu aulas a domicílio. Teria sido discípula de bons mestres já que, a não ser melhor ou mais recente fundamentação, é reconhecida como a primeira mulher a escrever uma Regra de Vida para sua Ordem Religiosa.
Podemos vê-la, sem dúvida como mestra em cada um dos seus escritos, inclusive no depoimento das suas já cinquenta seguidoras, no processo de sua Canonização (cf. FF e Clarianas, pp 1703-1741).
Alguns extratos: 

Soube, irmã querida, que você teve a felicidade de fugir da lama do mundo, pela graça de Deus. Alegro-me por isso e congratulo-me com você, como me alegro porque você e suas filhas seguem com valor os caminhos da virtude (Er 2-3).

Admoesto e exorto no Senhor Jesus Cristo que se guardem as Irmãs de toda soberba, vanglória, inveja, avareza (cf Lc 12,15), cuidado e solicitude deste mundo (cf. Mt 13,22; Lc 21,34), da detração e da murmuração, da dissenção e da divisão. Antes, sejam sempre solícitas em conservar, umas com as outras, a unidade do amor mútuo, que é o vínculo da perfeição (Cl 3,14).

... desde que a Madre Santa Clara entrou na Religião, foi de tanta humildade que lavava os pés das Irmãs. Além disso a bem-aventurada Clara derramava água nas mãos das Irmãs e, de noite, cobria-as por causa do frio (3ª testemunha).

1.2.4 - Madre Clara e a educação

Madre Clara dedicou especial carinho à educação. Antes de ser Religiosa foi professora. Assim, deixou escrito para suas Irmãs:

“Lembrem-se bem que o Jardim da Infância é a base do primeiro ano, do segundo ano ... enfim, do Primário, que é a verdadeira base do ginásio, isto é, de todo o estudo. A ele (Jardim), pois, todo o cuidado, todo o carinho possível pela suma importância, principalmente pelo caráter que, ali, a criança deve ir formando guiada pela Jardineira. Que tremenda e sublime responsabilidade! São almas que Nosso Senhor nos entrega para cuidarmos para Ele, para educarmos para Ele.

Não é brinquedo, temos de dar conta a Ele, na hora extrema da nossa vida. O primário, isto é, as Professoras do Primário, são responsáveis pelo estudo e pelo caráter do homem e da mulher. É a idade da “cera mole”, em que se imprime o bem ou o mal. Enfim, todo o cuidado, carinho e esmero é pouco para a nossa seríssima responsabilidade, diante de Deus e das criaturas e também da nossa Congregação querida, do nosso nome de Aparecidas.

A Irmã professora deve ser professora da matéria que ela estudou. Ensinar os alunos com a máxima exatidão, firmeza e bondade e, principalmente, com a bondade ... bem aplicada com retidão, sem impacientar os alunos, antes, atraí-los pelo seu exemplo” .

Madre Clara se empenhou também na educação do Surdo, cujo Estabelecimento específico, junto com o co-fundador, iniciou e acompanhou por quase duas décadas. Disse, a este respeito:

“A criança privada de ouvir e de se comunicar pela fala é sobremodo sensível. Ela deseja ser amada, compreendida e espera a dedicação da sua professora para ser feliz.

O educando surdo não é um educando comum, mas um educando cujo progresso intelectual depende em grau muito elevado da participação abnegada de seus semelhantes. A criança surda necessita ser compreendida e amada. A criança surda é criança, antes de ser surda: possui inteligência em potencial necessitando de estimulação.

A educação da criança surda não constitui uma barreira intransponível. A atenção da professora educadora, uma boa dose de amor, de devotamento, de persistência, levará à criança surda os ensinamentos que ela ansiosamente espera receber.

É importante considerar a criança surda como um ser integral lembrando que ela tem a mesma individualidade e as mesmas características gerais da criança de audição normal.

A professora, convivendo com a criança surda, aprende a acreditar nas suas possibilidades e sentir a bondade, a pureza e a candura, a ingenuidade, o desejo de aprender, de vencer, de ser alguém na vida, que ornamentam o seu espírito ainda vazio de ensinamentos, mas rico de potencialidade sentimental” .

Madre Clara refere-se à necessidade de assumir um modo de vida pautado na caridade, expressão concreta do amor incondicional a todos. Uma postura integralmente inclusiva. “A sua missão é sublime e ela deve ver na pessoa a quem ela socorre, um seu irmão sofredor que, embora cheio de problemas difíceis a resolver, é sempre uma criatura que vive e que deveria esculpir, em sua pessoa, a imagem de Jesus Cristo. Como o Divino Mestre, trabalhar na terra árida das misérias com o coração transbordando de caridade”.  A Congregação de Madre Clara “nasceu no berço da caridade” e, “se cresce, só pode fazê-lo  na caridade”.   

Madre Clara propõe a construção do edifício da santificação, “a ser pintado com cores tão suaves que todos sejam atraídos pelo bem-estar que sintam do nosso exterior”.  Fazem parte do edifício da santificação valores como a humildade, a alegria, o bom-humor, a amabilidade, a delicadeza, a retidão, a caridade, a educação, a generosidade, o respeito, a união, entre outras.

1.2.5 - Educação Franciscana Aparecida nos dias de hoje

Ao idealizar a fundação, Frei Pacífico disse às primeiras Irmãs: “...uma Congregação bem franciscana e bem brasileira”. Oitenta anos depois, esse sonho continua presente e perpassa o cotidiano da Congregação, seja no Brasil, na África ou Bolívia.

Educar hoje, permanecendo, sensíveis às necessidades de nosso tempo , requer educadores críticos e comprometidos na formação de pessoas humanizadas e humanizadoras.

Isso requer um projeto atualizado que, no dizer de Madre Clara, transforme as obras em pregação   através de uma postura de amor, acolhimento, compaixão e constante renovação. Este projeto tem seu fundamento no Evangelho de Jesus Cristo que Madre Clara e Frei Pacífico, como fez São Francisco, testemunharam. Ideal que se constitui em patrimônio para o presente e o futuro, na educação Franciscana-Aparecida. Projeto que encontra sempre adequada expressão também nas diretrizes da Igreja Católica, da Família Franciscana e da própria Congregação.Como responsáveis pelas Escolas Franciscanas-Aparecida, sabemos que o ser humano é o sujeito principal da construção da sociedade. Pretendemos que, pelo nosso fazer educativo, ele consiga buscar a verdade como ideal de vida, que tenha ideias e objetivos definidos, que seja autônomo, crítico e, como cidadão, participe efetivamente na sociedade, com competência, ética, dignidade e responsabilidade .

A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. Desta forma, a educação inclusiva assume espaço central no debate a cerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão.

O ensino para todos desafia o sistema educacional, a comunidade escolar e toda uma rede de pessoas, que se incluem num movimento vivo e dinâmico de fazer uma educação que assume o tempo presente como uma oportunidade de mudança do "alguns" em "todos" e do respeito às diferenças. Vai além da valorização do ensino ministrado como transmissão de conhecimentos, para a valorização da vida (energia) e da consciência (espírito).

Uma Escola inclusiva não prepara para a vida – ela é a própria vida que flui devendo possibilitar o desenvolvimento da sensibilidade e da capacidade crítica e construtiva dos educandos-cidadãos que nela estão. O direito à igualdade de oportunidades não significa um modo igual de educar a todos e, sim, dar a cada um o que necessita em função de seus interesses e características individuais.

Assim sendo, uma nova ética se impõe, conferindo a todos igualdade de valor, igualdade de direitos e a necessidade de superação de qualquer forma de discriminação.

Sensíveis às necessidades de cada tempo, circunstâncias e lugar , na missão de educar adotamos como posicionamento filosófico:

Conciliar a cultura ao espírito evangélico, considerando o educando como pessoa singular e única a ser encaminhada a assumir a sua própria personalidade através da realidade cultural de que é herdeiro e do contexto social de que participa e está chamado a modificar, permitindo assim que o ser humano assuma seu papel de agente transformador, capaz de discernir e optar pelos valores que contribuam para a construção de uma sociedade mais humana, justa e fraterna. 

1.2.6 - Missão na Educação

A educação, seja em Escolas, ou informal em diferentes atividades e projetos, continua sendo considerada pela Igreja e pela Congregação como uma ocasião privilegiada de evangelização e de promoção humana. É um espaço imprescindível para garantir, dentro do pluralismo cultural e religioso, a visão cristã e franciscana sobre a pessoa humana, as realidades da criação.  A educação permite ajudar as novas gerações a se confrontarem com os valores autenticamente humanos, cristãos e franciscanos; a desenvolverem consciência crítica frente ao mundo e à sociedade, e a se exercitarem, criteriosamente, no diálogo cultural, inter-religioso, ecumênico e eclesial. Junto à comunidade educativa, as Irmãs dão primazia ao testemunho pessoal e comunitário. Na proximidade fraterna e atentas à realidade, partilham o Carisma e anunciam a Boa Nova. Buscam contínua capacitação para bem orientar o processo educativo. Em nossa ação evangelizadora na Educação, assumimos como linhas de atuação:

a) Tornar a Escola espaço de evangelização, com projeto educativo fundamentado em valores humanos, cristãos e franciscanos, promovendo o diálogo entre fé, vida, cultura, ciência e sociedade.

b) Cultivar na comunidade educativa relações que favoreçam a colaboração ativa entre Irmãs e leigos, promovendo o protagonismo destes em diferentes níveis, conforme as exigências da evangelização.

c) priorizar uma convivência de proximidade, cortesia, respeito, postura ética e seriedade científica.

d) Criar espaços gratuitos, em que a comunidade educativa possa vivenciar, partindo da Palavra de Deus, o encontro com seu próprio mistério e o dos demais.

e) Favorecer estratégias que ajudem a comunidade educativa a descobrir com consciência crítica as causas da atual situação social, política, econômica e religiosa, e a assumir posturas propositivas, geradoras de vida.

f) Educar para o modo franciscano de lidar com os conflitos, na simplicidade, em nível interpessoal e institucional, mediante o diálogo, a reconciliação e o perdão.

g) Promover atividades educativas que ajudem a superar qualquer forma de exclusão por razões intelectuais, religiosas, econômicas, sociais, físicas ou culturais.

h) Suscitar na comunidade escolar o desejo de conhecer cada vez mais a beleza, a bondade e a verdade de Deus. Crescer na familiaridade com as diferentes expressões religiosas, com a vida comunitária eclesial e o Carisma da Congregação.

i) Promover uma cultura de solidariedade, sobriedade, partilha, defesa e cuidado da vida humana e do meio ambiente, com base em critérios franciscanos, científicos, políticos, econômicos.

j) Favorecer o protagonismo do educando como sujeito a própria formação, acolhendo sua história pessoal, cultivando a autoestima, a capacidade de trabalhar em grupo e o sentido fraterno, solidário, criativo e crítico, valorizando seus dons e a originalidade de cada um.

k) Proporcionar, especialmente através do Ensino Religioso, estudo e vivência da fé, promovendo consciência do chamado divino à vida e à vocação.

l) Atender às necessidades educacionais dos alunos surdos, respeitando sua cultura, de modo a favorecer o resgate da cidadania; a promoção de suas potencialidades; o despertar para o compromisso comunitário e a vivência solidária participativa.  
 
CONCEPÇÃO DE PESSOA

O ser humano é um ser de relações não de contatos, pois o que caracteriza as relações são: a reflexão, a consequência, a transcendência e a temporalidade. Já os contatos são reflexos inconsequentes, intranscendentes e intemporais. Paulo Freire afirma que “onde há vida há inacabamento. Mas só entre homens e mulheres o inacabamento se tornou consciente”. O inacabamento introduz o ser humano na dinâmica da busca do algo mais que viabiliza a educação e a relação de reciprocidade com o outro.

A Escola Franciscana-Aparecida “reconhece a pessoa humana como história, como ser em situação, capaz de ir se construindo. Tem em si a potencialidade necessária para transformar-se, soltar-se, crescer e assumir-se em sua plenitude, também para mudar seu ambiente”. Assim a educação deve ter como finalidade a formação da autonomia intelectual e moral do educando. 

É na figura de Jesus Cristo que se fundamenta toda a valorização do humano. A exemplo de São Francisco, Clara de Assis e de Madre Clara Maria, no seu fazer pedagógico, as Escolas têm um olhar positivo sobre cada criatura, e cada uma é remetida a buscar sua identidade. 

A educação deve auxiliar as pessoas a tornarem-se verdadeiros protagonistas de suas vidas, cidadãos conscientes e atuantes, desenvolvendo suas potencialidades e competências necessárias para que sejam pessoas autônomas, solidárias  e felizes,  promovendo a vida onde está sendo ameaçada.(PM – i)

CONCEPÇÃO DE MUNDO

O mundo é visto como obra criada por um Deus amável e bom e, portanto, deve ser cuidado. A ecologia merece considerável atenção, sobretudo, a ecologia humana. Isso exige a participação criativa de todos no cuidado com a Mãe Terra, numa postura ética, para que ela se transforme progressivamente na “morada” do ser humano e de todas as demais criaturas, como é desígnio do Deus-Trindade e como foi o ideal perseguido por São Francisco, Santa Clara e Madre Clara.
 
CONCEPÇÃO DE SOCIEDADE
 
A convivência une os seres em torno do bem comum. Para Francisco de Assis a convivência não é apenas estar entre os outros, viver cercado de pessoas como massa anônima, sem identidade reconhecida. “No pensamento franciscano a compreensão e o autoconhecimento, bem como, sua realização se concretizam com um outro, ou com os outros, jamais sem os outros”.

O conviver envolve a reciprocidade, pelo sentimento e pela ação em que há um dar e receber contínuo de vida e afeto. Trata-se de um conviver includente onde todos são dignos de participar. Contudo, não partilhamos apenas a alegria, mas também as dificuldades da vivência fraterna, o que buscamos e ainda não conseguimos ser.

São Francisco viveu pela paz numa sociedade marcada pelo pensamento único. Como exemplo radical de coerência entre ideal e prática conseguiu dialogar com as diferenças.

A sociedade desejada deve ser formada por cidadãos conscientes de seus direitos e de seus deveres. Esses sujeitos diferentes se inter-relacionam gerando conflitos entre desejos individuais e a busca do bem comum. As questões sociais devem ser tratadas através do diálogo balizado em combinações éticas pré-estabelecidas na busca da paz universal.

CONCEPÇÃO DE ESCOLA

A escola é um espaço de formação no sentido coletivo, ou seja, a vida em sociedade. É um centro no qual se transmite um conceito específico de pessoa, de mundo e de história. É um lugar privilegiado para o diálogo entre fé e ciência. Para tanto, deve orientar e investir nos valores e normas que fortaleçam o sentido de coletividade. O regramento social com o compartilhamento de vivências busca a construção de um espaço solidário.

A escola interage com o sujeito para além dos saberes escolares, e este com os seus pares, ressignificando o contexto e as atitudes individuais. No reconhecimento do outro ressignificamos atitudes e concepções, gerando uma transformação no indivíduo como ser social e político.

As Escolas da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida têm como valores próprios do Carisma Congregacional o acolhimento, a simplicidade e a acessibilidade. No seu fazer pedagógico propõem:

• construir comunidade educativa como centro de evangelização, onde se vivencia o amor e a fraternidade através de projetos pedagógicos de caráter humanista, voltados para a construção de um mundo mais solidário;(PM-a)

• favorecer uma ação educativa integral, fundamentada no Evangelho, que viabilize a participação do educando na construção da cidadania e da sua atuação como agente de transformação social, através do desenvolvimento da consciência crítica, do bom uso da liberdade e do senso de justiça;(PM- d)

• promover a convivência no contexto da diversidade humana, respeitando e valorizando as potencialidades de cada um;

• realizar adequações curriculares considerando o currículo como um elemento dinâmico da educação para todos, contemplando as especificidades dos educandos;

• vivenciar a tecnologia e a ciência, unindo conhecimento e valores às atitudes e habilidades para concretizar ações;

• promover o ser humano em sua dignidade, independente de classe social, nível econômico, cultural, religioso,  sexual, étnico ou profissional;

• reconhecer nos educandos o potencial de conduzir-se com crescente autonomia em sua vida pessoal, social, cognitiva e produtiva;

• desenvolver competências a partir de atitudes e habilidades que gerem no indivíduo a capacidade de criar uma trajetória singular diante dos desafios do tempo em que vive;

• provocar a construção do conhecimento como atividade permanente, levando a pessoa a “aprender  a aprender”, formando uma postura pró-ativa  diante de si mesmo, do outro e do mundo ao seu redor;

• propiciar um ambiente favorável à aprendizagem no âmbito do afeto, da comunicação e da convivência, superando a exclusão por razões intelectuais, religiosas, econômicas, físicas ou culturais;

• promover o fortalecimento dos vínculos da família com a escola, proporcionando espaços de reflexão que favoreçam a convivência, o crescimento das relações interpessoais, o respeito, o acolhimento das diferenças e a  comunicação.

• Favorecer o protagonismo do educando como sujeito de sua própria história, através do cultivo da auto-estima, da capacidade de trabalhar em grupo e do sentido fraterno, solidário, criativo e crítico, valorizando seus dons, sua originalidade e cultura;

• Proporcionar sobretudo, através do Ensino Religioso, estudo e vivência da fé promovendo consciência do chamado divino à vida e a vocação.

• Atender às necessidades educacionais dos surdos, respeitando sua cultura, de modo a favorecer o resgate da cidadania; a promoção de suas potencialidades; o despertar para o compromisso comunitário e a vivência solidária participativa.

1.3 - MARCO OPERATIVO
 
As Escolas Franciscanas-Aparecida assumem o compromisso de desenvolver competências que permitam ao educando ser sujeito de sua própria aprendizagem. Ele é desafiado a pensar, expor suas ideias, buscar informações e transformá-las criticamente em conhecimentos. Para tanto, a ação pedagógica deve favorecer a produção e a utilização das múltiplas linguagens, das expressões e dos conhecimentos históricos, sociais, científicos e tecnológicos.

A proposta pedagógica inspira-se nos princípios de fraternidade, solidariedade e simplicidade a exemplo de Jesus Cristo, São Francisco de Assis, Santa Clara, Madre Clara e Frei Pacífico, promovendo o desenvolvimento integral do ser humano e seu preparo para exercer com dignidade e ética a sua cidadania. Assumimos como Paulo Freire que “aprender é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à abertura do espírito”.

A integração entre as áreas do conhecimento e a concepção das propostas de organização curricular considera as disciplinas como meios e não fins em si mesmas e parte do respeito à realidade do educando, de suas experiências de vida cotidiana, para chegar a sistematização do saber. A escola, como segmento social, deve tomar para si a responsabilidade de vincular a complexidade da vida social em seu currículo, através da inclusão de temas de relevância social.

A transversalidade se constitui na dimensão didática, que possibilita estabelecer uma relação entre os conhecimentos científicos, das diferentes áreas do conhecimento e as questões da vida real, na perspectiva do desenvolvimento do ser, através de opções de valores éticos e a incorporação de atitudes. Possibilita também aprender sobre a realidade, construindo aprendizagens significativas tanto para quem aprende quanto para quem ensina, numa relação dialógica e dialética.

Acreditamos que o ensino se constrói na pluralidade e na certeza de que o processo de aprendizagem se funde na interação, desenvolvendo uma forma humana e significativa de perceber o meio. 

A construção e sistematização do conhecimento e dos saberes se viabilizam através da ação pedagógica. Celso Antunes afirma que “Piaget demonstrou a importância em se rejeitar uma exposição de conhecimentos prontos destacando que somente se aprende de maneira significativa quando existe uma ação direta e construção pessoal no conhecimento que se adquire”. O conhecimento não pode ser entendido como uma cópia da realidade que se imprime na memória, como defende o empirismo, nem o resultado de um desabrochar interno de capacidades inerentes ao sujeito e que dispensa ajuda como defende o inatismo, “mas sim o resultado da interação entre as condições disponíveis em todos os seres humanos e sua atividade transformadora do meio”.

O papel do educador é fundamental como condutor desse processo de sistematização do saber e mediador do processo de transformação de informações em conhecimentos. A noção de limite e respeito ao outro é necessária para a convivência em grupo. O trabalho em equipe deve priorizar o diálogo, a cooperação e a interação dos seus integrantes buscando superar a competitividade individualista. 

O planejamento da Escola é uma ação intencional, realizada através da discussão coletiva para que o aprender a ser (competências pessoais), o aprender a conviver (competências relacionais), aprender a fazer (competências produtivas) e o aprender a conhecer (competências cognitivas), sejam a concretização da proposta pedagógica.

Nossas Escolas se comprometem com a qualidade da construção dos conhecimentos historicamente constituídos, respeitando os diferentes estilos de aprendizagem bem como com a produção de novos conhecimentos. Busca-se o compromisso com o coletivo visando a responsabilidade social individual.

Conscientes da importância do papel da Escola na formação integral do Educando, buscamos:

• estimular a reflexão e o diálogo a cerca das questões escolares, posicionando-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações, respeitando a opinião e o conhecimento produzido pelo outro;

• trabalhar os valores cristãos, as normas de convivência para o desenvolvimento individual e coletivo, favorecendo o exercício da cidadania;

• favorecer relações sociais justas e humanizadoras, antecipando a sociedade desejada;

• compreender os processos naturais e o cuidado com o ambiente como valor vital, afetivo e estético;

• atualizar e ressignificar o currículo escolar com questões de importância para a vida pessoal e coletiva dos educandos, integrando diferentes áreas do conhecimento;

• desenvolver competências e habilidades preparando o educando para atuar no mundo do trabalho com conhecimento, ética, respeito e responsabilidade;

• refletir e problematizar as práticas pedagógicas visando alternativas às diferentes necessidades educacionais;

• considerar o desenvolvimento biológico, humano e cultural dos educandos nas suas diferentes etapas;

• estimular o desenvolvimento da autonomia, do espírito crítico e participativo, da autoestima, da sensibilidade e da afetividade para que o educando tenha motivação para aprender a aprender;

• promover a construção crítica  de uma rede de saberes, levando em consideração os conhecimentos, práticas, valores e crenças da comunidade escolar;

• assegurar condições favoráveis para que seus profissionais possam exercer seus papéis e seus compromissos com competência, ética e respeito;

• incentivar a formação permanente dos profissionais que atuam nas Escolas;

• entender a avaliação não como um fim em si mesma, mas como um processo diagnóstico que possibilite rever o planejamento, realizando as modificações necessárias para qualificar a aprendizagem;

• avaliar periodicamente as diferentes propostas e ações num processo de ação-reflexão-ação;

• desenvolver as habilidades, conceitos e princípios necessários  à construção de aprendizagens significativas;

• reconhecer que todos são iguais perante seus direitos e deveres, valorizando as diferenças;

• respeitar as especificidades de cada educando, favorecendo as aprendizagens significativas de acordo com seu ritmo de desenvolvimento;

• atender as necessidades educacionais dos educandos, oportunizando uma aprendizagem na qual as crianças possam adquirir conhecimentos de forma coletiva, mas com objetivos e processos diferentes;

• viabilizar a adaptação curricular aos educandos com necessidades especiais, respeitando a legislação vigente.

PRINCÍPIOS DA AÇÃO PEDAGÓGICA

Os princípios norteadores da ação pedagógica dão identidade às escolas, tendo caráter permanente e servem como orientadores para todos os planejamentos e projetos desenvolvidos.

Assumimos como princípios da ação pedagógica:

1. Aprender – entendemos como um processo que ocorre a partir da mediação do sujeito com a sua realidade (vivências e experiências pessoais) na interação com diferentes informações. Propomos uma educação fundamentada nos quatro pilares da educação propostos pela UNESCO:

• aprender a conhecer: através da ação-reflexão-ação as escolas favorecem espaço para a curiosidade desenvolvendo o espírito de busca, de pesquisa, do prazer da própria descoberta e de novas fontes de saber. O conhecimento é percebido como o resultado entre a interação do sujeito com a informação e o significado que este lhe atribui. No processo de construção do conhecimento o educando é o protagonista, sendo o processo mediado pelo educador.

• aprender a fazer: consiste essencialmente em aplicar, na prática, seus conhecimentos teóricos. É fundamental que o educando saiba se comunicar, não apenas reter e transmitir informações, mas também interpretar e selecionar, desenvolvendo habilidades e competências para o trabalho. O aprender a conhecer e o aprender a fazer são indissociáveis, sendo que o aprender a fazer está ligado à formação profissional.

• aprender a conviver: trata-se do campo das atitudes e valores. A Escola é um espaço social onde se aprende a acolher e respeitar as diferenças, através da vivência de relações pautadas no diálogo em atitude de cooperação, solidariedade e responsabilidade na busca de uma cultura de paz, tolerância e compreensão.

• aprender a ser: direcionada à formação individual no que se refere à educação de valores e atitudes. A Escola oportuniza vivências para o autoconhecimento, entendendo o sujeito como corpo, espiritualidade, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal individual e ética. Pretende-se formar sujeitos autônomos, intelectualmente ativos e independentes, capazes de estabelecer relações interpessoais, de comunicarem e evoluírem permanentemente, intervindo de forma consciente e proativa na sociedade.

2. Ensinar - trata-se a ação do educador no sentido de propor mediar, orientar, contextualizar, provocar e desafiar o educando, favorecendo a construção do conhecimento. O educador exerce o papel de mediador e orientador do trabalho pedagógico.

3. Humanizar - o educando é estimulado a “assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos”. As relações humanas expressam atitudes de cooperação, solidariedade, responsabilidade e respeito mútuo.

4. Valores Franciscanos-Aparecida - são fundamentais na formação do sujeito, destacando: sensibilidade, simplicidade, honestidade, fraternidade, solidariedade, liberdade, participação, diálogo, fé, paz, respeito e responsabilidade. Estes valores são fios que tecem a ação humana.

5. Desenvolvimento Sustentável - a compatibilização entre a utilização dos recursos naturais e a conservação do meio ambiente deve ser um compromisso da humanidade. Concretiza-se pela forma de produção que satisfaçam a necessidade do ser humano, sem destruir os recursos que serão necessários às futuras gerações.

6. Educação Ambiental - a perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo no qual se evidenciam as inter-relações e a interdependência dos diversos elementos na constituição e manutenção da vida.

7. Avaliação - é entendida como processo de diagnóstico, sendo “instrumento” necessário e fundamental para reconhecer avanços e indicar novos caminhos com vistas ao replanejamento. A autoavaliação se configura em importante ferramenta para contribuir neste processo. Deve ser um momento significativo de crescimento pessoal para todos os envolvidos e não um fim em si mesmo.

8. Formação Continuada - faz-se necessária pela própria natureza do saber e do fazer humano como práticas que se transformam constantemente. A realidade muda e o saber que construímos sobre ela precisa ser revisto e ressignificado continuamente.

EDUCADOR

Ser educador, formador de pessoas, exige vivência plena com consciência e sensibilidade.  Ensinar a pensar, saber comunicar-se, saber pesquisar, ter raciocínio lógico, fazer sínteses e elaborações teóricas, saber organizar o seu próprio trabalho, ter disciplina para o trabalho, ser independente e autônomo, saber articular o conhecimento com a prática, ser aprendiz autônomo e à distância requer um educador que seja sempre um aprendente, construtor de sentidos, cooperador e acima de tudo um dinamizador da aprendizagem.  A sociedade da informação possibilita múltiplas oportunidades de aprendizagem, tendo várias consequências para a educação e afeta diretamente o papel do educador. Portanto, para atuar nas Escolas da Congregação o educador precisa estar centrado na sua missão, buscando dar sentido para a vida como um todo:

• sendo testemunha dos valores humanos e cristãos na formação de uma cultura de paz, através da vivência do acolhimento ao outro, diálogo  e respeito às diferenças;

• assumindo o compromisso com a concepção de uma educação transformadora que proporcione a construção de um mundo mais justo, produtivo e saudável para todos;

• acreditando na educação como meio essencial para capacitar os educandos  a desenvolverem suas habilidades e competências – “estar motivado para poder motivar”;

• valorizando métodos criativos centrados nos interesses e nas necessidades dos educandos, despertando o desejo de aprender;

• articulando a vida intelectual com o desenvolvimento de habilidades e competências que valorizem toda a forma de trabalho;

• compreendendo o próprio fazer pedagógico para auxiliar os educandos na construção dos significados e articular os aspectos múltiplos da realidade complexa;

• problematizando as suas práticas pedagógicas e os saberes que a fundamentam;

• atualizando-se de forma permanente para aproximar, selecionar e refletir sobre novos saberes;

• estabelecendo diálogo de forma ética com a comunidade escolar, escutando e compreendendo críticas como possibilidade de crescimento pessoal;

• proporcionando atividades e reflexões que oportunizem a comunidade escolar a entrar em sintonia com o Transcendente, com Deus;

• oportunizando momentos de aprofundamento e de partilha sobre o Carisma Franciscano-Aparecida a toda a comunidade escolar.

EDUCANDO

O educando é entendido como uma pessoa em processo de formação que vai se construindo na relação com os outros integrantes da comunidade educativa.  Tem em si a potencialidade para ser agente da própria aprendizagem. É capaz de ter iniciativa, conhecer seus direitos e obrigações, a realidade que o cerca, ampliando sua visão de sociedade e de mundo, com posicionamentos críticos e construtivos para transformar a realidade em que está inserido.
A proposta pedagógica da Escola favorece o seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

2 - AVALIAÇÃO

A proposta pedagógica da Escola é a articulação das intenções, prioridades e caminhos escolhidos para realizar sua função social.
A avaliação da proposta tem por objetivo verificar em que medida as Escolas Franciscanas-Aparecida estão concretizando o Projeto-Político-Pedagógico, a fim de realizarem os ajustes necessários.  O Projeto-Político-Pedagógico é uma proposta em construção que deve ser refletida, constantemente aperfeiçoada, pois envolve pessoas e sua educação.
A equipe diretiva, educadores e outros segmentos, construirão os instrumentos a serem utilizados em cada Escola.

3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Escola que assumimos é um espaço no qual as pessoas podem dialogar, pensar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar saberes, onde há lugar para criar, colaborar, discordar e transformar. Uma Escola autônoma onde todos os envolvidos possam, pensar, refletir e avaliar o processo de construção do conhecimento, que não deve ser tratado de forma dogmática e esvaziado de significado.
O Projeto-Político-Pedagógico representa um desafio no cotidiano de nossas Escolas que buscam efetivamente uma educação alicerçada nos valores Cristãos-Franciscanos-Aparecida, na promoção da Paz e do Bem.

BIBLIOGRAFIA

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ZABALA, Antoni. A prática Educativa com ensinar.

ZAVALLONI, Roberto. Pedagogia franciscana. Tradução de Celso Márcio Teixeira. Petrópolis: Vozes, 2000.


ORAÇÃO DA PAZ
Atribuída a São Francisco de Assis


Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar do que ser consolado,
Compreender do que ser compreendido,
Amar do que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
É morrendo que se vive para A VIDA ETERNA!



 
  



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